quarta-feira, 27 de julho de 2016

Momentos


Desde que soube já esperava, de alguma forma estranha, por essa notícia.
Não sei bem como me sinto. Às vezes uma profunda tristeza, noutras estou Sereno. Vêm as lembranças, dias que passaram colados a um plano desfocado, ao longe, que vai aos poucos se aproximando por uma lente de aumento invisível, presa sob alguma haste, iluminada por alguma nuvem, e pelas estrelas que não param de piscar. Como dois olhos orientais.
Momentos recortados que agora pregam-se em meu coração de memórias. Tantas coisas feitas, que pareciam feitas, mas que sob a égide do tempo se desvanecem como o mais puro açúcar, que é também evanescente. E só não é pó porque brilha. Tem o brilho do açúcar. Seu gosto de saudade: é doce.
Não sei bem como me sinto. Há alguma coisa esquisita dentro de mim
Que não consigo decifrar. Um desencanto sereno, manso, sem revolta,
E que nem sei se é dor.



Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Otto Scholderer.  

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