quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Paz: debaixo do céu e da terra.


Diariamente jovens são presos no Morro e estampam a capa de jornais por posse de drogas ou crimes mais ilegais. Morro geográfico, conhecido como favela ou aglomerado, e morro que dá nome à causa.

Jovens estudantes de classe média a alta que às vezes cursam Odontologia, outros Gestão Ambiental, e talvez estivessem fazendo alguma pesquisa para a faculdade ligada ás ervas provenientes do seio da Mãe Natureza.

Capturados pela Polícia prestam depoimento e são liberados.

E aí a sociedade se indigna, e pergunta, onde mora a justiça nesse país?

Sob a voga da grife Tropa de Elite concebe que tais marginaizinhos, escória da sociedade, aliados do tráfico, merecem, no mínimo, ter os rostos esfregados contra o sangue, os corpos surrados e torturados, enfim, aprendam com a única didática que ainda funciona, a da colher de pau, ou mais sofisticadamente, justiça com as próprias mãos.

A exemplo dos heróis da Marvel, Capitão Nascimento, El Justiciero (tcha tcha tcha, como diriam Os Mutantes) das telonas veio ao mundo para cumprir uma sina messiânica e fazer nascer de novo os “cidadão meliante”, honrando seu sobrenome.
Clamando por paz, debaixo do céu e da terra, El gran ídolo da garotada já faz seus primeiros discípulos, intolerantes e despreparados.
O menino João Roberto, de 3 anos, foi assassinado hoje, mais uma vez.
P.S.: Como aconselha Millôr, esse título se trata de uma (ironia!), entre parênteses, é claro.
Raphael Vidigal

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