sábado, 31 de dezembro de 2016

Saída de Emergência



- Eu falei que não te procurava...

- De frente para um touro que dorme...

- Quando tudo desaparecer ainda restará a palavra socorro



Raphael Vidigal

Imagem: Obra do dadaísta Hans Arp. 

Amor de Gaveta


Por mais que eu te chame
Você não vem
Eu apronto um vexame
E você nem
Pra me ajudar
A levantar

Se alguém soubesse
Me explicar
Porque faço tanta prece
Pra você ficar
Você não cometeria
Os crimes de todo dia

No final de tudo
Minha loucura me consola
O escândalo é desculpa
Pra agüentar só mais um fora

Você me chama de lixo
Te escrevo poesia
Nosso caso é um capricho
Só amor de gaveta
Me jogou foi na sarjeta
Eu sou vagabundo são
(Sei da minha condição)

No final de tudo
Minha loucura me consola
O escândalo é desculpa
Pra agüentar só mais um fora
           
            Por mais que eu rasteje
            Você não vem
            Eu subo pelas paredes
            E você nem
            Pra me ajudar
            A levantar
           
Se alguém soubesse
Me explicar
Porque faço tanta prece
Pra você ficar
Você não cometeria
Os crimes de todo dia

No final de tudo
Minha loucura me consola
O escândalo é desculpa
Pra aguentar só mais um fora

Você me chama de lixo
Te escrevo poesia
Nosso caso é um capricho
Só amor de gaveta
Me jogou foi na sarjeta
Eu sou vagabundo são

(Sei da minha condição)


Raphael Vidigal

Imagem: foto da banda "A CASA". 

Dance


Beijo a tua boca
E você já nem me xinga mais
Não odeia, nem ama
Se um quer o outro volta atrás...

Até deitar na cama
Já virou o maior drama
Não dá pra ficar quieto
            Eu dancei, eu dancei (Bis)

Você faz que me chama
Eu chego e acabo com a sua paz
Está cheia de segredos
E ouvidos eu já não tenho mais

Quero você quando posso
Acho que vou ter um troço
Agora o que vou fazer?
            Eu dancei eu dancei (Bis)

Não é que eu não possa
            Mais viver
            Mas é que a fossa chegou
            E dessa vez pra valer

Olha p'resse mendigo
            Dá o troco em seu vândalo
            Ou então faço um escândalo
Eu dancei eu dancei (Bis)                                   

E pra que tanta cena
Você nem sente pena
Eu até me humilhei

Eu dancei eu dancei (4x) 


Raphael Vidigal

Imagem: foto da banda "A CASA". 

Meu Amor Preferido


Meu amor preferido gosta
Riscos e contratos, fossa
Não vê que eu preciso
Desse luxo, esse capricho

Cuidar de você             
Já que de mim não tem jeito
Eu gosto é do seu defeito
                       Que só cabe aqui, aqui...
                                    Aqui, aqui                
                              
                                   Pena você não perceber
Entre mimos e maus tratos
Falta cara pra bater
Falta caráter pra se ver

Cuidar de você
                                   Já que de mim não tem jeito
                                   Eu gosto é do seu defeito
                                   Que só cabe aqui,aqui...
Aqui, aqui

Meu amor preferido gosta...

Cuidar de você
                                   Já que de mim não tem jeito
                                   Eu gosto é do seu defeito
                                   Que só cabe aqui,aqui...
Aqui, aqui


Raphael Vidigal

Imagem: foto da banda "A CASA". 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quando Chora Um Cavaquinho


Era uma nota em Si
Quando logo eu nasci
Não chorei, nem sorri

Eu nem bem entendi
Depressa me vesti
O sol ia raiar

“Vem depressa, João!”
Gritava minha mãe empoleirada no portão
O pai lá fora, a algazarra toda, e os irmãos
Ainda guardo na memória o sabor daquele dia

Cavaquinho me traz
Alegria sem fim
E o choro contido
É um grito
Um gemido
Um rugido
Alarido
Brado
Berro
Um clamor
Chora o meu cavaquinho

Nada melhor
É remédio da alma
Benze meu coração
Nunca vi outro igual no mundo
Em medicina alguma

Além do mais
É barato, de graça
Assim se encontrará, pode ver
Basta procurar com atenção
O som dentro de si, a soar

Digo o que sei
O que guardo
Ajuda-me
Não é fácil não  
Mas protege quem canta, eu sei
Chora o meu cavaquinho, ouvi
Como anjos
De anunciação
Um recado
Lá do Senhor
Uma esfera
De irradiação
Infinita
Em mim


Raphael Vidigal

Imagem: foto de Ana Cristina, intérprete da canção. Crédito: Nathan Morais. 

Paraibeiro


Na Paraíba um mineiro assim chegou
Usava botas carmesins e um terno azul
Sobre a cabeça o chapéu de um verde rum
No olhar cingia a esperança contra alguns
Sua barriga reclamava do jejum
Obstinado ignorava o próprio som
E caminhava como se fosse nenhum
Uma alma leve, a via sacra de Jesus
Abriu a pasta e cuidadoso retirou
O objeto delicado espiou
Os curiosos o cercaram, um a um
Na Paraíba um mineiro assim chegou
E o velho cavaquinho ele desafiou

Ele desavisou
Ele descosturou
Ele reinventou
Ele não se importou

Com essa magia
Ele trouxe à geração
A nova maneira
De tocar o coração
Era fama e moda na cidade onde aportou
Mas logo à sua terra regressou


Raphael Vidigal

Imagem: foto de Luana Aires, intérprete da canção.  

Mil Vezes Só


Sei
Que você vai voltar pra mim
Meu bem
Não se pode afastar
O amor
Ele volta
Com uma força maior
E nos faz outra vez
Repensar nossa vida

Errei
Meu pecado é uma cruz
Busquei
Perdão sem cessar
O rancor
Fecha a porta
E não deixa entrar
Noite e dia passei
Esperança perdida

Pois eu sem você
Não sou ninguém
Pois você pra mim
Vai muito além
Mil vezes só é te ver
Longe assim (Bis)

Ouvi
Tempo passa
Eu não vou ficar
E disse
Esperai, pois hei de subir
O céu para mim
Lá te encontrarei
Toda decorada
Em brim

Tudo é sonho
Acaba assim
Sim
Já te vejo chegar
O amor
Pois ele torna
Com uma força maior
E nos traz outra voz
Confortante e divina

Sei
Que você vai voltar pra mim
Meu bem
Não se pode afastar
O amor
Ele volta
Com uma força maior
E nos faz outra vez
Repensar nossa vida

Pois eu sem você
Não sou ninguém
Pois você pra mim
Vai muito além
Mil vezes só é te ver
Longe assim (Bis)


Raphael Vidigal

Imagem: foto de Pereira da Viola, intérprete da canção. 

Duas Lágrimas


Assim
Chegou
Do coração
Nem tive mais o que dizer
Pra te consolar

Quanto tempo se foi pela vida
Vendavais
Quantas juras eu acreditei
Sem haver jurado

Assim
Nem sei
Mais esconder
Que o que houve um dia entre nós
Chegou ao seu fim

Venho lhe pedir
Que alimente a mágoa
A sós
Pois o meu coração
Achou
A ternura e a paz

Por favor, solte as cordas
Que prendem sãs 
Não se esconde
O amor
Dentro de
Um porão
Sem luz

Não posso esquecer
Tantas lágrimas derramei
Pois tentamos com a ilusão
Segurar esse amor
Que cresceu

Que desabou
Aos poucos
E agora só restamos
Duas lágrimas
Assim, pelo chão


Raphael Vidigal

Imagem: foto de Lígia Jacques, intérprete da canção. 

Cavaquinho Triste


O grande amor da minha
Vida
Um dia me abandonou
O inverno se instalou
No coração

Nem tenho forças
Pra acudir ao tempo
Que não volta atrás
Nunca mais

Cavaquinho que me encosta
O peito nas cordas
Triste a lamentar
Meu fim
Um dia sonhei
Mesmo acreditei
Num final feliz para nós dois

Ó cavaquinho não me deixes
Hoje raia um dia triste
Noite cobre teu véu negro, gim
Debaixo a estrelas
Minha eterna musa
Qual um dia amei
Perdi

Cavaquinho não me olhas
Teu olhar assusta
Tu me lembras
Do meu fim
Um dia sonhei
Acreditei
Ser feliz

A solidão pede passagem
E a lembrança é o que tem
Por castigo
Pois o passado tem ciúme
E ao presente ele abraça
Num falso tecido

Cavaquinho que me encosta
O peito nas cordas
Triste a lamentar
Meu fim
Um dia sonhei
Mesmo acreditei
Num final feliz para nós dois

A solidão está com o homem
De Troia até o Egito
É que o passado tem ciúme
E agora ele lança
Os seus comprimidos

Cavaquinho não me olhas
Teu olhar assusta
Tu me lembras
Do meu fim 


Raphael Vidigal

Imagem: foto de Giselle Couto, intérprete da canção. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

hino


escolho a morte de todas as coisas
escoradas no costume na moral e no hábito
escolho a morte de todas as coisas
sem nome
todas as coisas sem cara
escolho a morte do padrão
do progresso e da ordem
escolho a vida pois ela é inevitável
a morte é somente detalhe


Raphael Vidigal

Imagem: Obra de Hans Arp. 

Estação


Quando acabou
os olhos hirtos
Confidenciaram que
ali houvera vida fresca
vontade serena
e seio de leite a jorrar
durante a primavera
Na flor da idade

quando acabou
O olho amarelo
ainda brilhava
a parte pudenda
ainda exalava seu aroma
Almiscarado

Quando acabou
a vida não se conformara
O coração mesmo rijo
gelado
Vibrava
as pernas mexiam
e o Sexo, principalmente,
pulsava

pois foi então
que
mesmo guardado
leite do seio jorrava
Brilho do olho
brilhava
as pernas bambas
tremiam como
No pós-coito

da boca de pedra uma música corpo tomara

                o ventríloquo: poeta
                a canção: era carne

ergueu-se a saia
abandonou-se o sutiã
a calcinha ao chão foi lançada

            e todos seu amor beijaram

                                   em elegia
A

            Baco

Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Picasso.

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