sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vidas duas entre morte de amor:



“E dei minha vida, momento a momento,
por coisas da morte.” Cecília Meireles

O homem endurecido
coração comido
alicate gangrenado
a beira do amor de morte



Raphael Vidigal

Pintura: “Thalia”, de Jean-Marc Nattier. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Vida:



“Trouxe a perdida alegria.” Manuel Bandeira

A Vida É Maior.
Nos Esmaga.
Que A Geme.

Abstrai
E obstrui.
A trai.

Raphael Vidigal

Pintura: “Retrato da Condessa Adéle-Zoé”, de Toulouse-Lautrec. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ama:



“Mas sinto que o coração se depura (é tão antigo falar em coração...)” Caio Fernando Abreu

Lama lema limbo
lona Lundu! 

Raphael Vidigal

Pintura: “Amor Sacro e Amor Profano”, de Ticiano. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Margem:



“Ah, as promessas ocultas nas janelas! – frias e candentes no esplendor trêmulo de um pôr do sol no outono.” Truman Capote

A gente está se atendo muito à
Borda
E esquecendo o carteado, digo
Contendo (escondendo)
- Conteúdo!
Coleta colheita madura

Mas se sinto como ele ainda estivesse em mim,
em curso, interminável.
Lhe envolver e cair nos seus entre os meus, abraso.

Raphael Vidigal

Pintura: “A ponte de pedra”, de Rembrandt. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Nasce:



“Um par de asas dança na atmosfera rosada. Silêncio, meus amigos. O dia vai nascer.” Clarice Lispector

Nada que digo escrevo, ou calo.
Estas transições são transitórias
São transigentes, também.
E hesitantes,
Oras.

A existência é a lembrança, há memória
No esquecimento
Coisas deixam
De ser.

É um livro pueril, ingênuo, com rompantes de loucura.

Guarda estas palavras que te dou,
No coração marejado onde navega nosso amor
Ingênuo, aflito, sem escrúpulos
Com rompantes de loucura!
Amo porque amo, pétala de rosa, você, cristalzinho de ouro.

Aquiescência.

Raphael Vidigal

Pintura: “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli. 

sábado, 25 de agosto de 2012

Soneto do amor prefeito:



“Rosa, ó pura contradição, alegria
De ser o sono de ninguém sob tantas
Pálpebras” Rilke

Quem provar a minha inteligência
Achará as outras parcas
Não pela força;
Mas pela graça

Raphael Vidigal

Pintura: “Mulher de combinação rosa”, de Burle Marx. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sob o efeito:



“a beleza é o início do terror que podemos suportar” Godard

Onde
Quer
Que
Você
Esteja
O
Que
Será
De
Nós
?


Raphael Vidigal

Pintura: “Metropolis”, de Grosz. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

William Blake:



“Caminharemos a noite toda por solitárias ruas? As árvores somam sombras às sombras, luzes apagam-se nas casas, ficaremos ambos sós.” Allen Ginsberg

Adentrou o açoite
Com claros olhos
Luzes da manhã

Tigre alaranjado
De tiras pretas no dorso
Enfiando a maldição no dentro
Rasgou palmeiras verde-escuro
Mundano nu pêlos e peles de gente.

Raphael Vidigal

Pintura: “O tocador de alaúde”, de Caravaggio. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Me recuso:



“Ponha um arco-íris na sua moringa” Paulo Leminski

Me recuso a ser esse modelinho
Mal passado de
Músculos e ombros
Medidas e cabeças no ferro de passar
Cuca fresca coração quente
Onde a mentira perde importância e a
Verdade ganha impotência, espaço
Me recuso
Com o me antes do re ponto

Raphael Vidigal

Pintura: “Auto retrato com halo”, de Paul Gauguin.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

3:



“- Antônia, você é engraçada! Você parece louca.” Manuel Bandeira

Gosto de trabalhar desobrigado,
Prefiro a visão do lado de lá,
Cumprimento no ar.
(cheiro desagradável)


Raphael Vidigal

Instalação: Obra da Escultora Doris Salcedo. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escarafunchar?



“É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

Em um gesto estúpido
Passei atrás da banca
Como os bancos atroz do atraso
Atrozes do atrás.

Nota?
Não estou aqui para ser
Notado
Note book
Notável é aquele que sabre ser preso.

Raphael Vidigal

Pintura: “Mulher sentada com joelho dobrado”, de Egon Schiele.

domingo, 12 de agosto de 2012

Diálogo do camponês com a moça pobre:



“O sábio procura a sabedoria, o tolo encontrou-a.” Georg Lichtenberg

Por que rechaças a inutileza
Das coisas sensíveis e leves?
Belas e indefesas?
- Não servem para nada.

- E o que queres tu?
trabalho.
- Por quê?
ganhar dinheiro.
- Para quê?
montar cavalo.
- E o que mais?
conquistar o mundo.
- Só isto? Este redondo?
e qual mais haveria de ser?
- Para ter prazer, afinal?
Sim.

Eu te digo do alto das coisas de quem as conhece,
Elas não valem nada

Quem te pressiona contra o peito, é tu mesmo!
pretérito Imperfeito!

Raphael Vidigal

Pintura: “A Caminhada Para O Trabalho”, de Jean Millet.

sábado, 11 de agosto de 2012

Professorado:



“Entre dentes
não maldizia a distração
elétrica, beleza ossuda
al mare. Afogava-me.” Ana Cristina Cesar

A apreensão
pega ou imobiliza?
move ou cospe?
cristaliza ou morre?
A apreensão,
sofrida.

Raphael Vidigal

Pintura: “Os Jogadores de Cartas”, de Cézanne. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Rabisco de papel:



“Se acaso já esqueceram,
Ou estão agora esquecendo,
Ou se jamais relembraram –
Melhor é não saber.” Emily Dickinson

Fiz uma poesia
Involuntária
Um rabisco de papel
Agrário
Agradeço,
Graça,

Abraços.

Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Modigliani. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ferreira Gullar:



“Definição:
Concha, mas de orelha;
Água, mas de lágrima;
Ar com sentimento.
- Brisa, viração
Da asa de uma abelha.” Manuel Bandeira

Mijo morno molhado
Canivete cópula comadre

Plana plena pluma
Prisma pinta
Plínio
Marcos

A Pecha
A Tocha
A naja

Totalmente desalojada
Completamente desajustada
Descompromissada

O relógio dá Arte.

Raphael Vidigal

Pintura: “O Palhaço Cha-U-Kao no Moulin Rouge”, de Toulouse-Lautrec. 

sábado, 28 de julho de 2012

I:



“Enquanto eu dormia, um carneiro comeu o meu diploma – comeu e disse, ‘Zaratustra deixou de ser um ´scholar´. Disse-o e foi trotando, arrogantemente. Isso foi uma criança que me contou.” Nietzsche

Impelindo o Inquilino o Inquisidor
Cheguei à seguinte conclusão:
u o I e a
A E i O U
No meio de tudo:
r I r

Raphael Vidigal

Pintura: “Il Giardino del Tempio”, de Paul Klee. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Refrigerante:



“Por que o zen de repente escapa e se transforma em sem? Sem que se consiga controlar.” Caio Fernando Abreu

Fomento e Fermento
São dois F´S
Da mesma (F) So (N) da

Raphael Vidigal

Pintura: “Ao Telefone”, de Larry Rivers. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tarde:



“é muito cedo para as drogas, e muito tarde para o amor.” Paulo Leminski

Declarado
Importante
Após a morte

Noite.


Raphael Vidigal

Pintura: “A Luta Temerária”, de William Turner. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ninho:



“Ao visitante recomenda-se deixar de fora as ilusões.” Dante

Morreu sozinho
Morreu cercado
morreu armado morreu no ninho.

Liberdade e Proteção
cuidados
onde
dói

Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Alberto da Veiga Guignard. 

domingo, 22 de julho de 2012

Brasil:



“Às vezes fico achando que sou uma invenção de vocês. Que eu não existiria se o Cometa não badalasse a minha existência, dando-me verossimilhança, forma, credibilidade.” Carlos Drummond de Andrade 

Se o imposto
É um impostor,
Importemo-nos, então?
Ou
Exportação?

Raphael Vidigal

Pintura: “O Homem Amarelo”, de Anita Malfatti. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Tônica:


“Impossível medir o tempo da vida
a fluir desigual
em cada corpo:
líquido” Ferreira Gullar


Cílio sírio  
Greve crave
Vida foda

Séria círio
Síria chata
Óros ânus
Oras pratos

Raphael Vidigal

Pintura: “Auto retrato”, de Schiele.  

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Relógio:



“Só deveria haver escolas para meninos-poetas, onde cada um estudasse com todo gosto e vontade o que traz na cabeça e não o que está escrito nos manuais.” Mario Quintana

Poeta nas horas inválidas,
Jornalista nas horas válidas.
Escritor em tempo integral.
Latem
Metal
Educa

Ac O de
A lá Ú de

Caduco

É preciso insistir...

Raphael Vidigal

Pintura: “Clergyman”, de Francis Picabia. 

domingo, 15 de julho de 2012

Circuito:



“Toca minha mão.
Quem fez o amor não vazará meus olhos
porque busco a alegria.
A vida não vale nada, (...)
Olha-me para que ardam os crisântemos
e morra a puta
que pariu minha tristeza.” Adélia Prado

A prosódia
Rebobina
Repentinamente
As prosopopéias
Da
Vida

Raphael Vidigal

Pintura: “Gravura com solo macio”, de William Hayter. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lobos na encruzilhada:



“Os loucos parecem eternos. (...) Diante da morte não sabia para onde voltar-me: inelutável, decisiva. Hoje, junto aos loucos, sinto certo descaso pela morte: cava, subterrânea, desintegração, fim. Que mais? Morrer é imundo e humilhante.” Maura Lopes Cançado

Chumbo
Chaga
Chama
Deus
Irmão

Raphael Vidigal

Pintura: “Virgem da Imaculada Conceição”, de El Greco. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Manoel de Barros:



“Foi um grande pecado a invenção da consciência. Vamos perdê-la por algumas horas.” F. Scott Fitzgerald 

Poeta do nada, do ínfimo, do inútil...
A que alturas voam-me mil camaleões?
Em que agruras ais os que habitam abutres convés de leões.

Raphael Vidigal

Pintura: “Aventura”, de Albery. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Incenso:



“guinchos curtos com tristeza suficiente para despedaçar o coração de um pai e talvez fosse.” Jack Kerouac

Sol e sal
Mal e medo
Incenso
Fumo
Grosso Chumbo
Maconha,

Não existe nenhum contrato entre nós senão o sentimento.

Raphael Vidigal

Pintura: “O abraço”, de Egon Schiele. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Contágio ou Amigo:




“Estamos velhos, nossos sonhos quebraram-se, outras imaginações pedem passagem. Somos a desorganização estabelecida, eles querem fracassar de outra maneira.” José Carlos Oliveira 

O meu sonho matou
O meu amigo

Ninguém sabe se
Sonho ou presságio
destino ou contágio

O meu sonho matou o meu amigo


Raphael Vidigal

Pintura: “La Belle Romaine”, de Modigliani. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Foice:



“Pois notou que a vida nutria-se de morte:
O Boi geme no matadouro,
O Cão no frio umbral.
Em prantos chorou & isto denominou Piedade,
E suas lágrimas aos ventos espargiram-se.” William Blake

Falarei na morte sem saber.

Viverei a morte sem saber

Num suspiro vejo o teu olhar
De encontro ao meu, pulos
De cócega e alegria.

No cotidiano
Medíocre
Do dia a dia, sorrio.

Vale a pena,
esta danada
vida.

delicada felicidade aberta

Raphael Vidigal

Pintura: “Meio-dia”, de Lee Krasner. 

sábado, 30 de junho de 2012

Declaração de amor inesperado:



“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há também sempre alguma razão na loucura.” Nietzsche

Eu não queria ir ao seu encontro naquele dia.
Talvez por não saber que era você que eu encontraria.
Eu também não queria derrubar cerveja no seu vestido.
E por fim não queria que você fosse mais embora.
A partir desse momento não sei quando nem como aconteceu, mas foi me dando uma vontade de te ver sempre, e fiz uma viagem já pensando na volta e na alma especial que encontrei em meio ao deserto de almas desertas.
E fui percebendo que éramos essa mesma alma especial, deserta, ansiosa, aflita, querendo alguém para amar, mas por muito tempo com medo.
Porém com você o medo acabou, me senti à vontade desde o primeiro minuto e disse-lhe que você era carismática.
Você riu e falou dos meus olhos enquanto olhávamos estrelas cadentes formando as constelações de câncer e gêmeos.
E fui percebendo que éramos essa mesma alma especial com sonhos de encontrar príncipes e printicipetizas embriagados por vodka com gatorade.
Embriagados por essa sensação de ter andado tanto tempo perdido e de repente ter se encontrado.
Ter nos encontrado.
Nós dois éramos essa mesma alma especial que andava em busca de alguma coisa tão perto e tão distante.
Tão ter estudado no mesmo colégio e nunca ter se visto embora as fotos provassem o contrário.
Mas você chegou com aquele jeito de menina tímida e se revelou uma mulher forte, que decide por si mesma e embora tenha saudáveis dúvidas sabe que é bom não saber com exatas palavras o que se quer da vida embora saiba.
No íntimo todos sabemos.
E o meu íntimo queria você, essa menina doce sensível delicada.
Essa mulher divertida que sabe a hora certa a hora errada e a hora que não tem nome nem rotulação.
Que bonitos são os dias em que nos encontramos, pois eu já não te encontro mais somente no dia que te conheci, passei a te encontrar todas as vezes que nos vemos e somos essa mesma alma especial.
Passei a encontrar seus anseios, suas dúvidas, suas tristezas, alegrias, vontades e risos.
Risos. Como são bonitos seus risos, suas gargalhadas, suas crises de felicidade.
Como é bom ver quem a gente ama sorrir até fechar os olhinhos e aparecer a covinha no lado direito que contrapõe-se às sardinhas no lado esquerdo.
Nós dois não temos lados, não temos divisões, não temos separações, embora tenhamos nossas individualidades e respeitamos quando cada um faz uma cara.
Quando eu levanto os olhos e você faz biquinhos. E rimos.
Afinal somos essa mesma alma especial.
E eu não queria e você talvez também não quisesse mais se apaixonar.
Mas de repente percebemos que o amor é uma força que mostra a verdade e não nos deixa saída.
Como é bom amar.
Como é bom o amor.
Que bom que ele escolheu nós dois. 

Para a japonesa índia dos meus sonhos,
e dos dias que quero acordar somente para vê-la.

Raphael Vidigal
13-7-2010 (uma data sempre especial)

Foto: Charlie Chaplin e a bailarina. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Anjo:


“Não será, cais do porto,
aquela luzinha
Que lá longe apaga e acende
Fazendo um sinal
Quem sabe pra mim?” Capiba

Carol é um anjo
Eternamente menina doce iluminando nossos corações
Carol veio para nos limpar
Depois que você se foi, Carol
Eu me sinto mais limpo
Eu entendi sua mensagem
Carol nos deu flores em vida
Desculpa Carol, por não compreendermos sua doçura, sua beleza e seu encantamento
E obrigado Carol, por cada momento

Beeeeeeeeeeeeeeeijos do Vidiiiiiii!

P.S: É um privilégio ter te conhecido.
Disse-me um amigo: “a admiração e o carinho que tenho são enormes”.
As mesmas palavras são minhas.

Raphael Vidigal

Pintura: “Amendoeira em flor”, de Bonnard.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A procura:



“É antes do ópio que a minh’alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um oriente ao oriente do Oriente.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

Colônia
Pode ser perfume
Colônia
Pode ser escravidão
Criada pode ser
Emprego
Criada pode ser
Luz,
Iluminação
Pode
Ser
Deus
Pode
Ser
O homem
Com fé
E
Sem
Compaixão.

Raphael Vidigal

Pintura: “O Sacrifício de Isaac”, de Caravaggio. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Inerência / Aderência:



“Na solidão dos campos de algodão” Bernard-Marie Koltès

Protótipo
De estereótipo
Ó tipo
Estéreo
Próton

Raphael Vidigal

Pintura: “Moinhos de Montmartre”, de Maurice Utrillo. 

sábado, 23 de junho de 2012

Choro:



“o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras.” Carlos Drummond de Andrade


Saiba que te amo, (te amei desde o princípio)
Saiba que te canto. (te cantei desde o início)

Engulo as minhas bobagens,
E o pranto.

Perdoa as minhas bobagens,
E durma com os anjinhos.

Que te beijo, mesmo
À distância.

Queria te contar um monte de coisas....saiu matéria minha no ‘hoje em dia’, fiquei sabendo agora de noite. Não vi.
Tá tudo ruim,
Choro.

Minhas unhas cortadas
Arranham os bolsos de dentro do meu paletó.
Depois arrumo, colo, faço o que é preciso – necessário.

Quando você diz ‘eu te amo’, eu suspiro.
Porque o meu ‘deseja ser amado’ se impõe sobre a ra-cio-na-li-da-de.

O amor privilegia poucos. É preciso coragem pra aceitar suas dores.
A maior prova é a dor, sempre.

Os caminhos tortuosos também levam a algum lugar.
Se esfarelando.

Já não consigo mais ficar de pé
Sem que os joelhos tremam
O medo me acompanha
Engoli-me num furacão deserto
Resta o pó dos meus dias felizes...

Tem compaixão de mim
Essa alma esburacada
Vil
Ajuda-me a encontrar
O oásis que nutria meus sonhos
Assim tá difícil
Tá ruim
Suicido.

Beijos. Boa noite. Saudade


Raphael Vidigal

Pintura: detalhe do quadro “As Três Idades da Mulher”, de Klimt. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Wally Sailormoon:



“E nas coisas efêmeras
Nos detemos.” Hilda Hilst


Será qual a diferença entre

A poesia e o poema?

O bolo e a torta?

A poetisa e a poeta?

Será o rolo, artigo, enredo?

Sufixo, prefixo, concreto?

Bagagens da mala dos enredados e verossimilhantes unicórnio-versitários?

Em vigas palavreados, palavrões, palavras: Bobagens.

Mas porque eu capaz do extraordinário sou obrigado a aprender o vintém?


Raphael Vidigal

Pintura: “Jovem mulher brincando com cachorro”, de Fragonard.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rápido:



“Quando o orvalho pingar sem ruído
E o luar for uma coisa só.” Manuel Bandeira

Dentre a discrição e a descrição

Há um rastro

Um gato-engodo

Rapto.


Raphael Vidigal

Pintura: “Pescadores no mar”, de William Turner. 

sábado, 16 de junho de 2012

Conversa de médico: (pneumotórax reduzido) ou pequeno poeminha para enfeitar a tarde



“Sebastian, Sebastião
Diante de tua Imagem
Tão castigada e tão bela” Milton Nascimento & Gilberto Gil

Prepotente
Preponderante
Entope
Entorpecente

- Ansiosa.
- Ãhn? Ciosa.

Afã
Elã
Melan
Colhia

Raphael Vidigal

Pintura: “Retrato de Natasha Zakólkowa Gelman”, de Diego Rivera.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Convencimento:



“Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica.” Rilke

Convenci-me de que sou poeta
Quando comecei a solver rimas pobres
E adotei meu ar
Arrogante-esnobe

Raphael Vidigal

Pintura: “Arlequim e Pierrot”, de Derain. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Xícara:



“as palavras não se podem evitar.” Clarice Lispector

Ajunte
Ajuste

Literatura é na borda ajuntar palavras
Chícara de chá

Limiar linear

Literatura é no fundo ajustar palavras
Borrão de café

Linear limiar

Ajuste
Ajunte

Raphael Vidigal

Pintura: Acrílico sobre madeira (sem título), de Antonio Maluf. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Aforismo ou Floreio:



“Um escritor não soluciona problemas, ele permite que eles surjam.” Friedrich Dürrenmatt

Escolhas limitam alternativas.

Rima é o encontro de sons distraídos.

A inspiração vem quanto menos se expresse.

A inspiração vem quando menos se esquece.

Alternativas delineiam escolhas.

Raphael Vidigal

Pintura: obra do artista plástico Robert Rauschenberg. 

sábado, 9 de junho de 2012

Poesia infantil:



“manchados por esses brilhos úmidos, mudavam de cor com a alacridade de camaleões:” Truman Capote

Se falo na clareza
Perco na escuridão

Se foco na rudeza
Vergo na emoção

Se falto no amor
Culpa do coração

Raphael Vidigal

Pintura: “Amarelo, Vermelho, Azul”, de Kandinsky. 

domingo, 3 de junho de 2012

Como diz Clarice:



“Devo meu sucesso a ter sempre ouvido respeitosamente os melhores conselhos, e depois ter feito exatamente o oposto.” G. K. Chesterton

Isso de se limitar às intenções do autor,
É por demais delimitador.
Como diz Clarice
É adivinhar
O que nem ele adivinhou
A libertação pura e simples.

Raphael Vidigal

Esboço: “Auto-retrato como São Sebastião”, de Egon Schiele. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Refrão de Samba Lupicínio Rodrigues:



“As saudades não me consolam.” Manuel Bandeira

Na conserva
Guardo o alimento
Mas não cabe a mágoa
Da mulher que me traiu

A ingrata
Por ironia conservas, intacto
O anel de noivado que lhe presenteei
No mesmo dedo
Que em riste me acusou
Injustamente

Raphael Vidigal

Pintura: “Peras e uvas sobre a mesa”, de Juan Gris. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Não sente?



“Na bagagem, uma esperança desmedida.” José Carlos Oliveira

Daqui a pouco
vem você de novo,
me alfinetar,
novamente.
Me descobrir,
novamente
Me jogar pro alto
e depois pra baixo,
Novamente.

Poesia, você não sente?

O cansaço e a fadiga e a preguiça
E a dor da inspiração?

Francamente!

Raphael Vidigal

Pintura: obra do artista plástico Wesley Duke Lee, ‘Hoje É Sempre Ontem,’.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mistério:



"mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta." Alex Polari de Alverga 

Imenso
Mas calmo

Fortaleza
E teme

Pontiaguda
Não lança

Qual o mistério do Rinoceronte?

Raphael Vidigal

Escultura: “Janusz Korczak e as crianças”, de Berthold Werner

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ocidente / Oriente:



“Eu te violento, chão da vida,
garganta de meu dia.
Em tua áspera luz
governo o meu canto.” Ferreira Gullar

Ocidente
Tem os dentes frios
Oriente
Tem os lábios quentes

Oriente
Tem o seio fino
Ocidente
Tem o colo farto

Ocidente
Anjos são faróis
Oriente
Anjos são cavalos

Oriente
Rezas pra dragões
Ocidente
Clama para o alto

Ocidente
Mingau de palavras
Oriente
Mingau de silêncio

Oriente / Ocidente
Sãos filhos são do oceano.  

Raphael Vidigal

Imagem: parede desenhada pela imaginação do arquiteto Gaudí. 

sábado, 26 de maio de 2012

cria copia Mario Quintana:



“Todo mundo é sério menos eu.” Allen Ginsberg

Que és um criador,
não há duvida.

Mas e o resto?

E a régua,
e o papel,
e o convexo?

Não, não,
(ri embaralhado)
poeta.

Raphael Vidigal

Pintura: “A Conquista do Filósofo”, de Giorgio de Chirico. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre um artista e sua gaiola:



“Se assustar as pessoas elas vão pensar, e ficarão mais assustadas.” Ingmar Bergman

A Gaiola do artista
É a forma

A fome do Artista
É o conteúdo

A fome do artista
É a forma

A gaiola do Artista
É o conteúdo

A Gaiola é maior que a fome?
O artista é menor que o Conteúdo?

Nada do que não se possa dizer o contra árido.

Raphael Vidigal

Pintura: “Dois nus na floresta”, de Frida Kahlo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Forma, fórmula, fôrma:



“As idéias têm idéias próprias” Rubem Alves

Cruzando as linhas
Cheguei à fórmula perfeita:
Um triângulo cartesiano

Mas e a forma?

Ligando o forno
Assei a fôrma perfeita:
Um bolo pronto. (de nozes)

Mas e a forma?

Pergunta sem resposta.

Raphael Vidigal

Pintura: “Duas mulheres”, de Egon Schiele. 

domingo, 20 de maio de 2012

Ganha-se pouco, perde-se muito:



“Mas a alma, em gotas mansas,
Chora, abismada no luto
Das minhas desesperanças...” Manuel Bandeira

Perde-se o sonho
Perde-se o sono
Perde-se o tormento

Ganha-se em troca: Dura
Realidade
Útil
Desprezível
Bitolada

Ganha-se pouco, perde-se o muito.

Leve si rasteira
Levanta
Lave
(Clave de sol, meio dia, vida meia,
amarga)

Raphael Vidigal

Pintura: “Vista de Toledo”, de El Greco. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Transa:



“Quem na vida tem amores
Não pode viver contente,
É sempre triste o olhar
Daquele que muito sente.” Florbela Espanca

Poupa
Polpa
Apalpa

Fruta
Chupa
Afaga

Morde
Suga
Rasga

Geme
Xinga
Fita

Grita O Muro Nua Transe!

Raphael Vidigal

Desenho: obra do quadrinista Milo Manara. 

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