quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Misericórdia:


“Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno.” Artaud

Porque Deus é tão misericordioso
E tão destituído de misericórdia?

Só concedendo a alguns o privilégio do talento.


Raphael Vidigal

Pintura: “Auto retrato”, de Francis Bacon.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sono:


“Neblina...nunca se sabe aonde vai. Só aquele velho diabo, o mar. Ele sabe.” Eugene O’Neill

Permita-me o decoro
Do não toque
Do não afeto

Pois meu amor
Quer toque
Sem contato

Quer afeto
Sem embaraço

Que o meu amor
É decréscimo e vaidade
Beijo defronte espelho
Apaga
No sono eterno
Amém

Pintura: “Paisagem com a queda de Ícaro”, de Peter Bruegel, O Velho.

Raphael Vidigal

sábado, 26 de novembro de 2011

Burburinho:


“E haverá outro modo de salvar-se? Senão o de criar as próprias realidades?” Clarice Lispector

Ouve um burburinho
Silencioso
Apenas ele escutou
E seu Deus morto

Ouve um burburinho
Na sala
Quando Nietzsche
Apostos

Houve um Nietzsche
Na sala
Um burburinho desaparece
Quando

Raphael Vidigal

Pintura: Obra do artista-cientista-plástico Guto Lacaz.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cavalo alado:


“e sem estrela para me guiar, só a perdição me guiando, só o descaminho me guiando – até que, quase morta pelo êxtase do cansaço, iluminada de paixão, eu enfim encontrara o escrínio. E no escrínio, a faiscar de glória, o segredo escondido.” Clarice Lispector

O encantamento fastio
Desvencilhou-se
Do alarido

Ao lado cavalo alado
Aquém, alheio, apático
Bucólico

Sua coragem vinha de não ter quem se preocupasse
Seu coração vinha de súbitas tempestades


Raphael Vidigal

Gravura: “Cavalo raptor”, de Goya.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Estímulo:

“eu não sou, como eles, treinado a buscar o conhecimento ao estilo de quebrar nozes. Amo a liberdade e o ar sobre a terra fresca; eu preferiria dormir em estábulos a dormir em suas etiquetas e respeitabilidades.” Nietzsche

Um bando
Dos mais célebres
Idiotas
Corresponde melhor a um estímulo
Do que um poeta
Um poeta
Não corresponde a estímulos
Mas de fases
E faces outras
Frases
Coladas e soltas

“cuja cabeça é apenas as entranhas do coração.” Nietzsche

Raphael Vidigal

Gravura: “Asta su Abuelo”, de Goya.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Tentaram me capturar: borboletas


“e você meio cego, meio tonto, só sabe que tem que continuar, meio sem esperança, as ilusões despedaçadas, o coração taquicárdico, língua seca, e continuando.” Caio Fernando Abreu

Tentaram Me Captar
Dormindo
Mas Eu,
Sonhava

Tentaram Me Captar Comendo
Eu Vomitava

Tentaram, Por Fim, Me Captar Vivendo
Enquanto
Morria

“É uma borboleta amarela? Ou é uma flor que se desprendeu e que não quer tombar?” Mario Quintana

Raphael Vidigal

Pintura: “Several Circles”, de Kandinsky.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Núcleo:


“cujos olhos verdes avaliadores pareciam lascas de mar, a havia olhado de cima, havia olhado através dela e iluminado o espelho partido de suas vaidades com a luz de um holofote:” Truman Capote

desmascarar Convenções
sociais de Comportamento
nutridas de Hipocrisia

Quero ver esse núcleo
Eu sou o anti-pose
Que por si só
Repousa

Eu sou o anti-lógica
que por si, só
Sonha


Raphael Vidigal

Pintura: Gato e pássaro, de Paul Klee.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rima:


“no Paraíso não existe nem ética nem política; somente estética.” Nicolas Berdjaev

Poesia não é rima
É feito

Poesia não é som
Efeito

Poesia não é cria
É feita

Poesia é um pretérito
Imperfeito

Poesia é um pretexto
Perfeito

Poesia é um sujeito
É feita do EFeito do imperfeito e do perfeito

“... e uma criança pequena os guiará.” Isaías 11,6.

Pintura: “Nu deitado”, de Modigliani.

Raphael Vidigal

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lei:


“Detesto a severidade barata da ética abstrata.” Oscar Wilde

Na vida tudo compensa

Dor; alivia
Prazer; rói

Vale a pluma?
Mas tudo é compensatório
suspensório de mel e do rublo (rubro?)

Imagem: “Acrílico sem tela”, de Amilcar de Castro.

Raphael Vidigal

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mostra:


“Se a gente amar um bicho selvagem, vai acabar olhando para o céu.” Truman Capote

Entre o esforço e o talento há um abismo

Há um foco um fosso um ato

Roa o osso

O ócio o ópio oco

Mais tarde mostra os dentes

Depois salive os entes.


Pintura: “Menino com cesto de frutas”, de Caravaggio.

Raphael Vidigal

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Do lado do poço do poço do poço do poço:


Laio e Logun Edé
Onde está Crisipo
No lago?
Escoltado até a morte!

Constatação alienígena: o ser humano é uma raça pobre.
Que enriquece sem saber por que

Ele é apenas treinado para quê.

“O que amas de verdade permanece, o resto é escória” Ezra Pound

Pintura: “La Forêt”, de Cézanne.

Raphael Vidigal

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Enigma:


“O segredo da vida é a arte.” Oscar Wilde

Pa
Bo
En
Mei
Pal
A (rra) sta


Quadrado Mágico Imaginário: Porto Alegre Botucatu Engenho de Dentro Meia-Noite
Palmas A Senhorita + Para Bom Entendedor Meia Palavra Arrasta + A Escolha É Tua + !!!

Esteja atento aos sinais, inclusive entre.

Raphael Vidigal

Pintura: “Great Metaphysical Interior”, de Giorgio de Chirico.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Idade do tempo:


“Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõe às outras. Para que não me firam, minto.” Caio Fernando Abreu

Durante um ano a gente se acostuma a chamá-lo por um nome
Água, Águia, Fome
No seguinte,
somos obrigados a adquirir novos hábitos
Sede, Vôo, Morte
E a chamá-lo, a partir desta data,
Novamente,
por uma outra, mais requisitada
definhar-se
Graça

Imagem: Obra do artista plástico Leonílson.

Raphael Vidigal

terça-feira, 1 de novembro de 2011

meias palavras:


“Nossas ruas eram frias
Como os homens desses dias
Engrenagens tão sombrias
Esquecidas pelos deuses
A pulsar em vão” Arrigo Barnabé


em meias palavras; em duras verdades
o jacaré é o inventor da lagartixa
da qual a cobra ainda sobrevive

em meias palavras; em duras verdades
cada hora a foice se aproxima
espera solene o fecho da cortina

em meias palavras; em duras verdades
quem foi louco há muito se inicia
no rito fantástico que os aglutina

em meias palavras; em duras verdades
há de me dizer narrador quem desconhece a vida
e vê na morte a única guarida

em meias palavras
as duras verdades
que escutei ourives
que escutei alferes
que apontei o dia, o sol,
cria Tua.

Raphael Vidigal

Pintura: “Dança”, de Mario Cravo.

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