segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Rosa dos Ventos:

Centros culturais espalham-se no Brasil. Entre os espalhados, amontoados, aqueles que carregam no sobrenome a alcunha de favelados.

Centros culturais oferecem atividades que a escola deveria oferecer. Mas não há escola por aqui.

Pois se a escola muitas vezes deturpa, aqui deturpados são sem escola e sem oração.

Vemos aqui sujeitos no palco, da vida e do teatro. Sujeitos na pista, de dança e de corrida. Música para os ouvidos, mente e coração.
Tudo se une, se amontoa, espalha.

O palco invade a pista, que invade a cabeça que liga direto ao coração dos que assistem e participam.

É uma iniciativa fundamental para o país. Merece louros e aplausos. Surgida por conta da mais pura necessidade, da falta total, do abandono, da exclusão.

O ideal seria que grupos como esses continuassem existindo não pela falta, mas em consenso com o resto da população. Que fossem incluídos não apenas dentro de seus feudos, mas sim do mudo inteiro, sim o mundo inteiro!

Que as pessoas se conscientizem, conheçam e apóiem mais, muito mais, o Centro Cultural Vila Marçola, os projetos Cultura da Criança, Brinquedos e Brincadeiras, Senhores e Senhoras do Tempo, o Grupo Juventude em Ação e o Rosa dos Ventos.

Que a Rosa gire, o Vento leve e a População respire.

"O vento assovia de frio
nas ruas da minha cidade
enquanto a rosa-dos-ventos
eternamente despetala-se" Mario Quintana

Raphael Vidigal

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Or(leans)DEM e Bragança: -Progresso (?)




Estava aquele rapaz como outro qualquer, que nada tinha de especial, impressionado com aquela vista.

Mansões enormes, dignas de serem comparadas aos castelos fabulosos que ele ouvira falar na infância e vira no cinema nas comédias americanas.
Três, quatro, cinco andares em um único espaço, quase tão ou mais impressionantes que a grandiosidade dos maiores prédios que já havia visto.Recheados de janelas, varandas, quintais, portas, portões, portais.
Homens de preto e cara amarrada fechavam-se em pequenas casinhas embutidas nos casarões.

Jardins que não possuíam apenas o verde clássico que ele apreciara muitas vezes em filmes, livros e fotos de cartão postal.Não, ali naqueles jardins que pareciam florestas havia de todas as cores, tantas cores que eram inclusive mais cores que as cores do arco-íris.Tantas flores que eram inclusive mais flores que as flores do buquê de rosas da dama do filme.
Mas não só de natureza vive o homem.O melhor ainda estava por vir: A Garagem.
Os automóveis importados que levam o homem a qualquer lugar, a qualquer velocidade, qualquer potência.Aqueles carros furiosos demonstravam todo o poder que um cidadão podia almejar, vinham com o slogan do cavalinho famoso e muitos outros, que embora não possuíssem a miniatura do animal feroz ainda assim impunham respeito.
A cada passo que dava mais o rapaz se encantava com toda aquela riqueza, aquele progresso, aquela beleza.Mansões, carros, jardins, ilusões pipocavam diante de seu olhar abismado, bobo, afinal aquele rapaz nada tinha de especial, como outro qualquer.Deu o passo final e caiu no Morro.

Raphael Vidigal

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