terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Gueixa


Deixa ela plantar bananeira. Deixa. É bonito.
Deixa ela acender o isqueiro. Deixa. É fascínio.
Deixa ela na ponta da estrela. Deixa. É o brilho.
Deixa ela sentada na beira. Deixa. É o abismo.
Deixa ela pular contra as regras, atiçar a fogueira, dar de cara com o céu e encontrar o destino.
Deixa.

Raphael Vidigal

Pintura: "Menina com cerejas", de Giovanni Ambrogio de Predis. 

Chama


Tinha uma frase de Fernando Pessoa na cabeça.
Ao inverso.
Ou mais complexa.
Não se lembrava direito.
O quê que eu fiz com o que a vida fez de mim.
A chama aberta o lembrou do outro dia. Da fogueira.
De contarem as estrelas quando ainda se viam matizes.
No negro de tempos vindos acabaram-se as estrelas, as cores, os brilhos.
Mas lhe restava aquilo.
O verso. A poesia. A indagação. O verso. A poesia. O verso.
Mas lhe restava somente o quê que eu fiz com o que a vida fez de mim.
E uma fagulha no peito. Não mais altruísta. Mas cinza...

O Quê Que Eu Fiz Com O Que A Vida Fez De Mim 

Raphael Vidigal

Pintura: "Ato feminino", de Egon Schiele. 

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