terça-feira, 21 de julho de 2009

H:


Beijo na boca
É carinho
Língua no corpo
É tesão
Enquanto a garganta espera
Aflita pêlo coração



Raphael Vidigal

Livremente inspirado em Mario Quintana e seu Espelho Mágico.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Brega: Tributo ao Pai da Elegância Inglesa


O Amor:

“O apaixonado começa iludindo a si mesmo e acaba enganando os outros. Eis o que o mundo chama um romance.”

Ah O Amor...
Falar de amor em dor é insistir na teimosia.
"Cafonar" a poesia.
A poesia de bordel não sobreviveu.

A Bondade:

“Certas criaturas têm a mania de dar bons conselhos. É o que chamo o cúmulo da generosidade.”

Toda conversa gostosa não presta. Muito menos quem conversa.
Trabalhar é bater o ponto na hora certa.
Gente que não presta virou brega. Gente que presta sempre foi brega.

O Remorso:

“No pecado cometido uma vez com remorso, reincidiremos muitas vezes com alegria.”

A voz sai forte, mas a garganta é fraca.
Remorso, mania cristã.
Pose pra Jesus.

A Família:

“A criança começa amando os pais; mais tarde, ao crescer, julga-os; às vezes, perdoa-os.”

Querido Estranho, um homem tem 3 inimigos: a família, a pátria e a religião.
Os discursos de moral e ética permanecem bregas.

O Otimismo:

“A base do otimismo é puro receio.”

Humildade garotos, humildade.
Humildade não é submissão.
Orgulho não é convicção.
O orgulho travestido de honra é o grande culpado por esse individualismo burro.
Orgulho é o exílio.
Defender a honra é muito brega.

A Alegria:

“Há sempre um laivo de crueldade em todo prazer, talvez em toda alegria.”

Sexo, Drogas e Credit Card.
Ditadura do prazer: Geração Micareta.
Laura Muller na TV.
Travesti lésbica.
A homossexualidade ficou brega.
A heterossexualidade sempre foi brega.

A Saudade:

“A recordação da própria alegria tem as suas tristezas, e a lembrança do prazer pode eivar-se de dor.”

Tempos de desesperança e medo.
Hedonismo estúpido. Depressão careta.
Melancolia cínica, é essa a seta.

A Mentira:

“Será a insinceridade uma coisa tão terrível? Não me parece. É apenas um método pelo qual podemos multiplicar nossa personalidade.”

Uma pessoa que sabe ser simpática precisa necessariamente saber ser falsa.
Confiar no caráter é um pouquinho demais.

A Emoção:

“Sempre há um quê de ridículo nas emoções das criaturas que deixamos de amar.”

Chegamos a tal ponto que o ridículo tornou-se brega.

A Verdade:

Sou de uma geração que ainda acredita em independência.

“Citações do livro da covardia, cujo autor se disfarça sob o nome senso comum.”

A Arte:

Essa instabilidade emocional não é doença.
É crença.
Regida por Logun Edé.
O conforto é muito brega.
A vida imita a arte. A arte imita tudo.

O Mundo:

Se o mundo é brega, quê que eu faço?
Submundos, meus colegas!
Eu gosto de ficar por baixo.

A Ironia:

A ironia, alivia.
Ainda há esperança.


Raphael Vidigal

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