sábado, 16 de abril de 2016

Era uma vez em Tóquio


Quando a vida se extingue
O que era espesso torna-se vítreo
A faísca não mais existe.
Quando a vida se extingue
Calam-se as borboletas
O que era espesso torna-se vítreo.
A faísca não mais existe
Dissolve-se a camada visível
A lembrança cobre os olhos e boca.
Quando a vida se extingue
Perpetuamos a pergunta
Para onde irá o que vimos,
O que tentamos conter em abraços,
Beijos, carinhos, chocalhos e lenços?
O que não se conteve.
Como represa que fura o tempo
Leva para onde não vemos.
Em que respingue a luz,
Respingue o dia,
Respinguem as borboletas,
Quando a vida se extingue
O que era vítreo torna-se espesso.


Raphael Vidigal

Pintura: obra de Van Gogh. 

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