sábado, 16 de abril de 2016

Encerramento


Não me peças mais nada
Além do que já fiz.
Não peças para os meus olhos
Cortinas estreitas.
Não encomende para a minha boca
As portas de um labirinto.
Não coce minhas orelhas,
Não tire minhas pulgas,
Deixe-as a ir.
Deixe-as descansar
Junto ao meu leito.
Junto às baratas.
Cortejado pelos ratos.
No meu reino sem cortinas,
Sem portas estreitas.
No meu reino sem labirintos,
No meu reino sem filamentos.
No meu reino sem orelhas,
Sem pulgas, sem dedos,
Todos devorados por baratas,
Por ratos,
Por lagartixas,
Pelas viúvas negras.
No meu reino em que só há lugar para o medo.
Só há lugar para o encerramento.



Raphael Vidigal

Pintura: obra de Monet. 

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