domingo, 11 de setembro de 2016

Ao mestre, Rubem Alves


Todo o mundo brinca...
Menino pobre, e menina rica,
Quem tá de bode, e quem tá sem grilo,
Quem se balança e o que não se estica.
Todo o mundo brinca...
Quer seja preto, branco ou amarelo,
Quer seja índia, trans ou sem sexo...
Deuses da África e os deuses gregos.
Todo o mundo brinca...
Todo o mundo glosa...
Todo o mundo espeta
O palito na roda
Pra ver se gira
Pra ver se goza.
Todo o mundo brinca...
Até o padre, até a freira,
Até o sargento e o marceneiro...
Nas horas vagas,
Nas horas mortas,
Horas dormidas,
Horas vividas,
Horas de sonho
O tempo para
E anda mais rápido...
Pois num instante...
Acabou-se a roda,
Acabou ciranda,
Acabou pião,
Acabou balanço,
Acabou-se o tempo
De ser criança.
Todo o mundo brinca...
Só não mais brinca,
Quem for adulto,
Deus que me livre...
Deste pecado,
Pecado imundo...
Melhor servir no Esquadrão da Morte,
Que ter a pena
Definitiva
De ser adulto.
Todo o mundo brinca...
Mesmo que seja
Apenas sonho...




Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Anita Malfatti.

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