domingo, 1 de maio de 2016

Ranzinza


Tenho uma alma velha.
E um corpo cada vez mais finito.
Tenho uma alma que engendra
Pirotecnias e malabarismos.
Mas tudo no campo do clássico
Me ojeriza o pós-modernismo.
Tudo no campo do antigo
Me arrepio com novas gírias.
Abraço-me aos meus jargões,
À descoberta das Índias,
Tudo o que já foi visto
Noutro tempo
Por meus antepassados
Sumamente me interessa.
Tudo o que já foi descoberto
E empoeira o baú dos milênios
Cabe à minha cabeça
Por definição:
Ranzinza.
Tal qual um relógio de bolso,
Como o que carregava o coelho de Alice.
Tal qual um relógio de sol,
Que ensinava o tempo aos povos incas.
Tal qual um poema na pedra, com suas escrituras paleolíticas.


Raphael Vidigal

Escultura: obra de Antonio Canova. 

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