segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Inevitável


Chega a ser triste que a gente tenha que partir,
que a morte, essa palavra anônima e desconhecida para os que ficaram
venha a carregar sem colo objetos inanimados, datas, conjunções, olhares
e passe, insípida e insipiente, por nossas existências que um dia lhe pertencerão para a eternidade. Chega a ser triste que não mais haja a foto,
não mais o aniversário, vazio se torne o abraço, os corpos tremulem não por amor, nem de felicidade, apenas como as bandeiras das ruínas gregas que se consolam por haverem envolvido a beleza ungida no abandono e na saudade. Chega a ser triste como uma palavra em sânscrito riscada do dicionário...


Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Gorky.

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