quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mesmo que morta:


“Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.” Carlos Drummond de Andrade – Com o pensamento em Ana Cristina


O que foi que deixou em mim que não me deixa seguir em frente, perseguir a vida, ser feliz?
Em um o outro momento sempre me bate essa tristeza, essa saudade, essa espécie de morte em vida.
Sempre em mim. Mesmo que morta, distante, sem notícias.
A me perseguir pelo resto da vida, como um fantasma.
Talvez a chuva contribua para isso.
Eu nem sei onde você está, quem você é.
Foi ou será?
Ás vezes eu acho que prefiro estar triste, que eu a perigo, a persigo.
Todo esse vazio em volta entra no meu ouvido, me diz coisas horríveis.
A impressão de que todas as pessoas estão distantes, esquecidas, frias.
“Preciso tanto...!” me grita Ângela Ro Ro no ouvido. Preciso tanto de você, dos meus amigos, de querer estar comigo.
Tudo isso que a gente pensou que era eterno, não existiu.
E a gente pode morrer a qualquer momento.
Não tem a ver com estar sozinho, tem a ver com estar com medo, desprotegido.
E assim nasce aquela vontade de chorar como um bebê, encolhido em seus braços que nunca mais me tocaram, nunca mais tocarão.

Toda estrela que cai é porque um dia esteve no céu.

Raphael Vidigal

Pintura: Enchantment Vesperal, de Marc Chagall.

8 comentários:

Polly disse...

Belas palavras!Universal...real...
Maravilhoso.
"E assim nasce aquela vontade de chorar como um bebê..." todo mundo ja sentiu isso um dia!

Pissolato disse...

Cara, brilhante! Essa vontade que vai e volta e nunca para de nos seguir é realmente incansável.

Anônimo disse...

O medo a todo instante de morrer, de ir pro céu...de ser uma estrela e como uma estrela cair do céu, voltar pra Terra com uma vida(quem sabe) após a morte. Mais uma vida, mais um choro de bebê... o ciclo, com uma vida mesmo que morta.
Mais um muito bom zim !!
André

Raphael Vidigal disse...
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Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Gabirela disse...

Eu acho que é como o vento que sopra no meu ouvido e vem aquele barulho como um assobio.
Para o mundo e escuta.
Não é isso?

Ricardo Takahashi disse...

Esses aí no foto são o casal do filme Avatar