segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Identidade


Quem me vê não explica
O porquê enxerga você
Na verdade até tenta
Mas não alcança a origem

A identidade que trazemos
Como em espelho refletido
Vai além do que está nele
Vai, muito mais, por dentro

Não é pela cor dos olhos
Nem o nariz que segura aos óculos
Na verdade para onde olham
E a inquisição que provocam

Não é o tamanho das mãos
Mas porque seguraram livros
Não está na forma das orelhas
Antes pela forma dos quebra-cabeças

Não é sequer pelo gênio
Pela calma ou pelo riso
Menos a cor vermelha
De quando a felicidade grita

Talvez, seja o coração
Que não se vê nem se explica
Mas que em certa estação
Nos amalgama e incita

Pois somos tão parecidos
Que parecemos mãe e filho
Como cordão e umbigo
Que se conhecem desde a barriga...



Raphael Vidigal

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