quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Auto de Natal


A morte é servil.
Trabalha incessantemente.
Só a vida descansa.
A morte é escrava.
Para ela não há feriado.
Só a vida descansa.
O som da morte é rangente.
Quando ela chega incomoda.
Para a morte nunca há festa.
Só a vida é celebrada.
A morte é servil.
A morte é escrava.
É uma visita inesperada.
A morte só tem sossego,
Quando a vida em seus braços descansa.
Mas a vida, lépida e pândega,
Bêbada como um rio,
E troncha como um canhoto,
Para a morte nunca dá descanso.


Raphael Vidigal

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