terça-feira, 9 de maio de 2017

Camurça


A decomposição do corpo em descanso.
A boca na varanda, os olhos no sobrado.
E toda a sala ampla iluminada de órgãos.
A decomposição do corpo está impassível.
Não se exaure. Há gritos no porão. E choro
No sobrado. Soluços na varanda. Porém no
Vão do sótão a mão é inerte, e nada afaga. A
Sala iluminada engole o corpo igual camurça.


Raphael Vidigal

Pintura: Obra de Helena Almeida.

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