quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Naquela mesma tarde vazia havia um muito de amor:


“Sou brega e assumo. Gosto de palavras como ´ingratidão’.” Cazuza

Percebido que a gente consegue é se desmoronando.
Enfiando nossa faca completamente afiada no outro e se desfazendo.
Saindo de lá acuado, com o único recuo que nos é confortável.
O da experimentação imaterial, imoral e imutável.
O da compreensão supraterrena.
Da vida do outro na nossa vida nos modificando para além seja lá o que nos espere.
Já não existe movimento sem queda.
E que ele seja doce amargo sutil destemperado extremo sem coloquialidade sem restrição muitos dilemas defeitos deveres são seres humanos
sem sermos amor

Pintura: Agony, de Gorky.

Raphael Vidigal

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Correnteza:


Louco demônio
Selvagem
Flores róseas
Demolindo
Tosca melancolia

Lúgubres saudades
Cristais de lágrimas

“O canto sensato dos anjos se ergue do navio salvador: é o amor divino.” Rimbaud

Pintura: The Toilers of the Sea, de Albert Pinkham Ryder.

Raphael Vidigal

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Felicidade:


turva felicidade
essa que se agarra às ostras
esta que se agarra às algas
ainda assim espontânea
ainda assim clandestina

“me quebrando assim como uma flor que ao nascer mal suporta se erguer e parece quebrar-se.” Clarice Lispector

Pintura: obra do artista plástico Frans Krajcberg.

Raphael Vidigal

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Concretizando Nietzsche:


Em busca

Em torno

Adiante

Entorto

Entorno

Quando?

Meu tempo é

Ando

“Venho hoje porque hoje me convém. Acha todo aquele que vem para sempre.” Nietzsche

Pintura: “Permutações”, de Antonio Maluf.

Raphael Vidigal

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Magia:


tolo daquele que não reconhece a própria,
Imagem e semelhança

tolo daquele que não reconhece a própria,
Sua ignorância

A magia do tricô
Faz nascer um bem
Pelas mãos das linhas

Pelas linhas das mãos
Faz nascer uma previsão
O cigano descrente.

“Nos salões do sonho não há espelhos.” Mario Quintana

Pintura: de Henri Michaux, Plume.

Raphael Vidigal