quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Andrei Tarkovsky


Quando chegar a minha hora
Nada poderei evitar
A ânfora já estará cheia
Os jogos estarão terminados
A lágrima virá primeiro
Em seguida o soluço convulsionado
Minhas asas estarão recolhidas
O libelo será ao som de Bach
Nada poderei evitar
Nem o lamento grave
Nem o soluço histérico
Nem a tristeza das asas
Recolhidas
Cuja única lembrança e similitude
Haverá com a cerâmica
Estática, parda
Ao redor da ânfora
E o branco do meu olhar
E o gesso dos braços
Ao redor de tudo envelopará a um estado estoico
Nada poderei evitar


Raphael Vidigal

Escultura: Obra de Brancusi. 

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