quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Desde que você se foi ou a canção da tragédia:


“Desta caverna sombria a qual observo tudo contra a luz” Caio Fernando Abreu

Desde que você se foi as tardes ficaram mais vazias, os olhos têm menos pupila, e eu “não reviro cores, não explodo a luz”.
Desde que você se foi essa certeza do inevitável me atingiu forte, e eu não tenho mais vontade de comer nem de me deitar.
Permaneço imóvel na mesma posição que você me deixou, no mesmo lugar, com o mesmo brilho salgado preso na saliva.
Desde que você se foi respeite o meu silêncio

A
MOR-

TE

Dói mais em mim do que em você, ela disse.
Não acredite
Não posso interromper a canção da tragédia

Raphael Vidigal

Pintura: A Persistência da Memória, de Salvador Dalí.

5 comentários:

Alien disse...

"...essa certeza do inevitável me atingiu forte..."

M. van Petten disse...

esse texto me emocionou.
muito bom mesmo.

Alessandra Rezende disse...

Perfeito esse texto, amor!!!! adorei!!!!!!!!!!!!
Principalmente essa parte:
"Permaneço imóvel na mesma posição que você me deixou, no mesmo lugar, com o mesmo brilho salgado preso na saliva".

Lindo demaiss esse trecho!

Ricardo Takahashi disse...

Muito original a idía do
A
MOR-
TE
E belo quadro surreal

Jaque disse...

Me sinto meio constrangida em elogiar, afinal todos os textos q tenho lido são de qualidade superior, então me faltam palavras e me torno redundante.