
"Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Alessandra.”
Quando tudo aconteceu nosso mundo sentiu no peito.
E eu digo nosso porque há muito suas estrelas que formam as três marias pontilham meu céu laranja.
Nossas estrelas deitados no chão esparramando vodka com gatorade contando com alegria os defeitos.
Nosso céu laranja deitados na poltrona aconchegante de um lugar só nosso com fundo de cachoeira.
Nossos corpos deitados no sofá cama enquanto nossos sonhos se entrelaçavam, a água molhava e você cantava aquele poema pra mim.
Aquele poema da brisa que mesmo errado me pareceu o mais bonito.
Quando tudo aconteceu nosso mundo sentiu no peito.
Pensou-se em assassinatos, suicídio e casamento.
Pensou-se em tudo isso, mas principalmente em casamento casa família bebê amor.
Quando tudo aconteceu machucou.
Mas em nenhum instante nossas estrelas murcharam, nosso céu perdeu a cor, nossos olhos perderam o brilho de oásis encontrado em almas desertas.
Água límpida que só se encontra lá.
Nosso mundo.
Porque o nosso mundo é frágil e corajoso.
E se entrega e sangra e chora mesmo que seja muito difícil.
Entre nós acaba sendo o mais fácil.
E deixa-nos mais leves, mais limpos e prontos para seguir adiante com nosso amor até alcançar as estrelas que pontilham o céu laranja. O poema da brisa. O filme na pousada. A água do chuveiro.
Porque o nosso amor somos nós.
Risos, dores, beijos e planos.
E assim nos damos diariamente.
Raphael Vidigal
Foto: Charlie Chaplin, onde tudo começou.
“Mas teu prazer entende o meu.” Clarice Lispector