sábado, 22 de janeiro de 2011

Música:


“Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz” Vinicius de Moraes


Ando sentindo uma coisa de despedida
Um tom exíguo.

É que me dá uma vontade de querer te ver, ouvir seu sorriso, cortejar seus olhos

Eu quero o corpo da minha mãe
e o sentimento do meu pai

Quem disse que a mente é mais poderosa que o corpo?

E a pergunta não tinha nome.
Mas o sentimento tinha.

Eu me perguntava se esse amor não era mais por costume.

Me envolvo com tudo que me toca.
(um bom filme, um bom livro, uma boa música ou pessoa ou ani
mal)

Sentir é um exercício de paciência.
E entrega.
A memória se perde granuladamente.

Tem alguém passando por momentos de horror agora.
Tem alguém passando por momentos de agonia
Tem alguém passando por deleites

Raphael Vidigal

Pintura: Senhora escrevendo carta com sua criada, de Vermeer.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Super Carolzita:


“Vejo-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e bela
Ignorando as luzes ofuscantes, vejo apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derretia satélites e corações gelados” Caio Fernando Abreu


O mundo anda o mesmo sem você,
Carol
A vida mudou completamente
Ficou sem o brilho furtivo que irradiava seu sorriso
Irônico, meigo, delicioso
Alguns dias parece parar tudo
Dá vontade de não fazer nada, apenas ficar admirando estrelas (sei que você está entre elas)
Outras vezes, fecho os olhos e te vejo em risadas nunca vistas antes
E entendo que é você me abraçando de sua constelação, dizendo que está tudo bem
Então eu sei
Há pessoas que querem mudar o mundo
Outras modificam a vida; encantam

Viiiiiiidi

Beijos para o tempo que não passa segundo o homem, onde você vive sua aura interminável!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Desde que você se foi ou a canção da tragédia:


“Desta caverna sombria a qual observo tudo contra a luz” Caio Fernando Abreu

Desde que você se foi as tardes ficaram mais vazias, os olhos têm menos pupila, e eu “não reviro cores, não explodo a luz”.
Desde que você se foi essa certeza do inevitável me atingiu forte, e eu não tenho mais vontade de comer nem de me deitar.
Permaneço imóvel na mesma posição que você me deixou, no mesmo lugar, com o mesmo brilho salgado preso na saliva.
Desde que você se foi respeite o meu silêncio

A
MOR-

TE

Dói mais em mim do que em você, ela disse.
Não acredite
Não posso interromper a canção da tragédia

Raphael Vidigal

Pintura: A Persistência da Memória, de Salvador Dalí.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amor:


“Talvez eu pudesse olhar no seus olhos como eu tô fazendo agora e dissesse que o mundo é tão óbvio que se a morte me tocasse nesse momento seria ainda assim previsível.” cena de “Crime Delicado” na voz de Marco Ricca

A sinceridade não basta.
As pessoas querem ter armas, mas não podem fumar maconha.
A arma é mais violenta que a maconha.
E o amor mais violento que a arma.

(A arma pode ser defesa.
A maconha pode ser defesa.
Mas a arma é mais perigosa.

A arma do policial.
A arma do traficante.
Fere muito mais que a maconha.)

O amor também fere.
E o amor também é defesa.

Eu desperdiço meu amor por aí.
Um amor denso e ás vezes pesado demais para ser carregado.
Um amor livre, de padrasto.
Você foi, só mais um deles.

A necessidade é maior que o amor.
A carência é maior que a necessidade, mais perigosa.
O amor passa.

A vida é feita de incongruências.
Eu sou fatalista.
“Amor é falta de QI, tenho cada vez mais certeza.” Caio Fernando Abreu

A inteligência machuca mais que a verdade.
Eu fiz as escolhas erradas nos momentos certos.

“minha inquietude de agora me põe mais à vontade diante do que já fiz e não tenho vergonha de nenhuma palavra, de nenhuma nota.” Caetano Veloso

Pintura: Auto-retrato, de Pablo Picasso.

Raphael Vidigal

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Bilhete:


Deixou uma carta de suicídio para os pais

“A causadora da minha morte é ela
e o amor que vocês dedicaram menos a mim mais a ela”


Os dois sorriram aliviados.

Raphael Vidigal

Pintura: O Semeador, de Van Gogh.