
Prometi voltar, mas não voltei.
Encostei-me à parede em canto a remoer minhas tragédias.
A desgraça tomava conta dos pulmões e eu não reagia.
Já não tinha forças.
Eu era aquela água morna do chuveiro que não esquenta e pinga confortante por mais que você precise ser queimado.
Uma água densa me molhava em sangue.
A morte me seduzia.
Pesada, doída.
Porque você sempre deixa um conflito antes de ir embora?
Raphael Vidigal